Sunday, September 7, 2008

A Normal


Mil nove centos e setenta sete, apenas ou já, 29 anos de vida. Bonita, pele clara, sardas espalhadas pela face, um olho sempre mais atento do que o outro. Perfumes exóticos nunca a entusiasmaram, contudo o azul cheiro do mar sempre a relaxou, a fez acreditar e sonhar que conseguia admirar o imenso oceano.
“Serei tão normal como todos os outros?” – perguntava-se.
Sempre se considerou normal, normal dentro da normalidade. A sua normalidade. A experiência de vida que tinha era normal, a saudade que tinha da falecida mãe era normal, assim como a sua altura, coragem, personalidade, desafios, amigos… tudo não passava de coisas… normais!

do Lat. normale
adj. 2 gén.,
conforme à norma ou à regra comum;
que serve de regra, de modelo;
exemplar; habitual; ordinário;


Cansada, da rotina adormeceu…

Acordou mais tarde, mais perto do fim do século, mas não ainda no ano mil novecentos e noventa e nove. As crianças gritavam a sua volta, uns pequenos declives notavam-se na face, quatro chamadas perdidas no telefone. Seu estômago queixava-se de fome.
Ao longe via-se a cidade, adormecida pela sombra da serra.

Que ambiente estranho a rodeava, Anormal desorientada, perdida, confusa… adormeceu!

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