
Não dá.
Estou a fazer um enorme esforço mas as palavras não me saem.
Consigo pensar como se nada fosse.
Está pesado. Se o descrevesse seria esguio, estreito e pouco volumoso. Sem criar rugas torço-o ao contrário do que queria e uma ideia é todo o suco que lhe retiro.
Tem luzes de uma intensidade e brilho semelhante mas é bem morbido e escuro. Se lhe pudesse atribuir um paladar seria algo doce mas com um travo salgado e não áspero. Mantem-se. Apesar dos tantos dias, talvez mesmo meses que já passaram contudo parece que vai aumentando minuto após minuto. Que descontrolo, que palidez amarga e vontade de não digerir. Um recipiente de vidro azul quase branco não seria suficiente para o conservar, quero mais, que faça mais sentido e que seja só meu. Invisível a olho nu, nu a olho visível mas só meu e sempre exposto.
Quero-o só para mim! Quero mais.
Não dá.
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